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ECONOMIA
Vêm aí péssimas notícias. Um megaestudo de mais de 1.000 cientistas sobre mudanças climáticas, que a ONU divulgará oficialmente no dia 2 de fevereiro, prevê para as próximas décadas aumento de temperatura, derretimento acelerado da calota polar no Ártico, elevação do nível do mar em até 43 centímetros neste século e maior ocorrência de secas, inundações e ondas de calor. A culpa, com 90% de certeza, é da emissão dos gases que agravam o chamado efeito-estufa.
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Mas também há novidades animadoras em outro estudo sobre o tema, que acaba de ser concluído. Encomendado pelo Greenpeace e pelo Conselho Europeu de Energias Renováveis e elaborado pela agência aeroespacial da Alemanha, o trabalho indica que é economicamente viável cortar pela metade, até 2050, as emissões de dióxido de carbono - o CO2, principal causador do efeito-estufa, resultante da queima de combustíveis fósseis usados nos transportes e na geração de energia elétrica. Esse controle impediria que a temperatura média do planeta suba além de 2ºC - acima desse nível, alerta o relatório, os efeitos das mudanças climáticas serão "catastróficos".
Para evitar o pior, o Greenpeace - que atua desde 1971 na defesa do meio ambiente - propõe ampliar os investimentos em energias renováveis e aposta em ganhos consideráveis de eficiência energética, ou seja, redução de desperdícios e avanços tecnológicos que permitam fazer mais com menos.
No cenário traçado como de "revolução energética" pela organização ambientalista, o mundo chegaria a 2050 com mais da metade de suas necessidades de energia atendidas por fontes renováveis - usinas hidrelétricas, eólicas (movidas pelo vento) e de biomassa (que queimam madeira e bagaço de cana, por exemplo), painéis solares, biocombustíveis etc.
Atualmente, segundo o estudo, apenas 13% da energia consumida no mundo é renovável. A queima de carvão e de derivados de petróleo responde por 80%, e 7% vem de usinas nucleares. Ou seja, a mudança de panorama exige uma inversão de prioridades, além de atitudes imediatas - já que as decisões de investimento no setor energético resultam em efeitos que duram décadas.
As projeções do Greenpeace indicam que, se não houver mudança de rumo, ou seja, se forem mantidos os atuais padrões de produção e consumo de energia, o panorama em 2050 será desolador: as emissões de gás carbônico, que já ameaçam o planeta nos níveis atuais, podem até dobrar.
A entidade elaborou um relatório específico sobre o Brasil (leia aqui), com ênfase na produção de energia elétrica - o setor de transportes, mais poluente, não foi analisado. Pelo menos no setor elétrico, a situação brasileira, se comparada ao panorama mundial, é hoje invejável: 89% da energia vem de fontes renováveis, principalmente de usinas hidrelétricas (85%). Mas nem tudo são flores: o potencial hídrico é esgotável, e há uma polêmica sobre a contribuição dos reservatórios de água para o efeito-estufa, já que eles emitem metano proveniente da decomposição de florestas inundadas.
Apesar de ambos pregarem a diversificação de fontes de energia, governo brasileiro e Greenpeace têm discordâncias profundas sobre o caminho a percorrer nas próximas décadas. O primeiro considera fundamental a construção de novas usinas nucleares; o segundo recomenda a exploração intensiva do potencial eólico - hoje, apesar de o regime de ventos ser um dos melhores para produção de energia, a contribuição dos geradores eólicos é quase insigificante no país. Os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento ignoram a energia eólica (leia aqui).
O estudo sobre o consumo mundial de energia levou em conta dois cenários. O primeiro, chamado de "business as usual" ("nada de novo", numa tradução livre) é a projeção de produção e consumo de energia até 2030, feita pela Agência Internacional de Energia. Os resultados foram extrapolados para 2050 com base na manutenção do modelo que privilegia a exploração de fontes não-renováveis. No segundo cenário, os pesquisadores buscaram projetar como será o mundo com a "revolução energética" pregada pelos ambientalistas.
Eles concluíram que é possível reduzir pela metade a produção de gases-estufa mesmo sem paralisar a economia - é esse risco que os opositores do Protocolo de Kyoto (acordo de controle de emissões de CO2) sempre levantam ao bombardear as iniciativas de controle do aquecimento global. Pelas projeções do estudo, a "revolução energética" é compatível com um crescimento econômico global médio de 3,2% ao ano.
O principal pressuposto para que os resultados sejam alcançados é o aumento da eficiência energética. Atualmente, segundo o estudo, de cada 100 unidades de energia geradas, apenas 22 são efetivamente utilizadas - o restante se perde no próprio processo de geração, na transmissão e na utilização incorreta. No cenário da "revolução energética" , graças ao esperado aumento de eficiência energética, o consumo de energia é 50% menor do que no cenário "nada de novo".
A "revolução energética" também prega a eliminação das usinas nucleares - elas não contribuem para o aquecimento global, mas são consideradas ambientalmente incorretas por causa dos riscos de acidentes e da produção de resíduos radiativos.
Créditos: TERRA
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